Eu na Comunicação

Professora, jornalista, mentora, marketeira e com carreira internacional: a trajetória de Verena Raymundo

A trajetória de uma profissional multifacetada que uniu educação, jornalismo, marketing e propósito para criar impacto dentro e fora do Brasil.

No Eu na Comunicação de hoje, vamos contar a história de Verena Raymundo, professora de Língua Portuguesa e Inglesa, jornalista, comunicadora, mentora, fundadora do Bolsa Empreendedora e da Veroa Company. Uma mulher multifacetada, de currículo impecável e experiências que atravessam fronteiras.

Nascida em Tupã (SP), ela relembra sua infância com brilho nos olhos: “eu sempre fui aquela criança que falava muito, que observava tudo, que se encantava com a televisão e se inspirava em mulheres apresentadoras, como a Xuxa, Mara Maravilha, Angélica, e adorava assistir novelas. Chiquititas era a minha favorita. Desde cedo, eu já tinha essa energia comunicativa, espontânea, alegre e naturalmente persuasiva.”

Cresceu cercada de amor, em uma família estruturada e guiada por valores sólidos. Foi dali que tirou a base e a coragem para sonhar grande, para acreditar que podia ir longe.

Fazer amizades nunca foi difícil, não porque tentava, mas porque gostava de gente. “Gostava de ouvir, de conversar, de conhecer. A comunicação sempre esteve na minha essência, mesmo quando eu ainda não sabia disso.”

A arte também moldou sua trajetória. Foram dez anos entre balé, sapateado e dança, e nesse ambiente ela descobriu que o corpo também comunica.

Presença é mensagem, expressão é identidade.

Verena Raymundo

Mesmo estudando em escola pública, sempre buscou mais. Sonhava com o ensino superior e encontrou essa oportunidade no CEFAM, onde fez magistério. “Ali, além de estudar, recebi incentivo financeiro do governo na época, um reconhecimento que reforçou em mim a crença de que conhecimento gera oportunidades.”

O CEFAM foi o terreno ideal para sua criatividade florescer. Teatro, dança, projetos artísticos… tudo apontava na mesma direção: ela era da comunicação. “Eu queria palco, queria câmera, queria voz.”

Curiosa e estudiosa, decidiu cursar Letras. A língua portuguesa e a história sempre a encantaram. “E porque a linguagem sempre foi, para mim, uma forma de entender o mundo.” Foi assim, unindo arte, educação, comunicação e propósito, que sua trajetória ganhou forma.

Depois de se tornar professora de português e inglês, sentiu que ainda havia mais a explorar. “Eu amava a língua, amava a informação, amava história — e minha inquietude sempre foi algo muito forte. Por isso, ainda durante a graduação, comecei a planejar uma segunda faculdade: Comunicação, com ênfase em Jornalismo.”

Formou-se em Letras e logo iniciou Comunicação Social. Os dois primeiros anos foram em Publicidade e Propaganda, experiência que ampliou sua visão criativa. Depois, seguiu para o Jornalismo. “Acreditava que meu destino talvez fosse a televisão, já que a comunicação sempre pulsou em mim desde criança.”

Durante essa fase, descobriu uma nova paixão: a fotografia. “Meu trabalho de conclusão foi sobre fotoetnografia, estudando culturas e etnias através da imagem. Foi aí que percebi que comunicação não é só falar — é observar, sentir, registrar, interpretar.”

Com duas formações, mergulhou na área que mais a encantava: assessoria de imprensa e comunicação institucional. Mas no interior, suas oportunidades não acompanhavam o tamanho de seus sonhos. “Eu queria crescer. Eu queria mais.”

São Paulo foi a escolha natural. E ali, durante sete anos, cresceu como profissional, mulher e ser humano. “Trabalhei em uma federação, vivi a comunicação na prática, aprendi sobre eventos, imprensa, bastidores e estratégia. Sou profundamente grata a essa fase da minha vida.”

Mas a inquietude, velha conhecida, voltou. Quando a rotina ficou monótona e ela já não enxergava crescimento, entendeu que era hora de se mover novamente.

Apesar de já ser formada em Letras, com habilitação em Inglês, Verena sabia que buscar a fluência de nível avançado e a experiência culturar abriria portas internacionais. Foi por isso que escolheu a Irlanda.

No início surgiram dúvidas sobre adaptação, mas a resposta veio rápido. Ela, camaleoa por natureza, se encaixou. “Conheci pessoas, mergulhei na cultura, comecei a aprender o idioma e… encontrei uma nova paixão que mudaria meu caminho de vez: o marketing digital.”

Na Irlanda viveu um dos períodos mais transformadores da sua vida. “Convivi com novas culturas, pessoas do mundo inteiro e percebi, quase sem perceber, que networking não é apenas conhecer gente — é construir uma rede capaz de abrir portas que a gente nem imagina.”

Lá, começou a trabalhar em uma escola de inglês e entrou de fato no universo do marketing digital. Mas então veio a pandemia. E estar longe da família foi doloroso.

“Eu precisava decidir qual caminho seguir — e, mesmo acreditando que voltar para uma cidade pequena seria um retrocesso na minha carreira, decidi voltar por amor, cuidado e responsabilidade com quem sempre esteve comigo.”

O retorno não foi fácil, mas foi firme. Estar perto da família deu chão para recomeçar. Em Tupã, voltou a escrever para um site de notícias, para uma revista do interior e a produzir conteúdo para o Instagram e YouTube, falando sobre outra paixão: viagens. Até que caiu a ficha. O marketing digital estava crescendo e ela tinha bagagem para crescer junto.

Mesmo confusa, começou a enxergar oportunidades onde antes só via limitações. “E essa mudança de olhar fez toda a diferença.”

Iniciou seu trabalho com empresas da cidade, produzindo conteúdo, fotos e vídeos. Criou sua marca: Verena Raymundo Marketing Digital. De repente, o negócio deslanchou. “Estruturei processos, organizei a empresa e entendi que estava construindo algo maior.”

E foi nesse movimento que conheceu mulheres empreendedoras que acenderam outra luz dentro dela. “Eu senti que precisava criar um espaço de troca e apoio.” Nasceu o Bolsa Empreendedora, o primeiro grupo de networking feminino de Tupã.

Começou pequeno, mas com um propósito enorme. “Mulheres começaram a chegar, a se conectar, a se fortalecer. Hoje, quatro anos depois, somos 39 mulheres unidas por crescimento, colaboração e apoio mútuo.”

Quando olha para trás, reconhece que essa liderança sempre esteve ali. Desde a infância, desde a sala de aula. Sempre gostou de motivar, direcionar, acolher e caminhar junto. “O Bolsa Empreendedora apenas revelou a líder que eu sempre fui.”

Ela encerra dizendo o quanto é profundamente grata. “Me inspiro em muitas mulheres — e tenho a honra de também ser inspiração. Tudo isso guiado por propósito, por fé e pela certeza de que Deus sempre me conduziu pelos caminhos que eu precisava trilhar.”

“Sou grata por ser instrumento de crescimento na vida de outras mulheres empreendedoras. E essa é, sem dúvida, uma das maiores missões da minha vida.”

Fechando essa narrativa, fica uma sensação clara: Verena parece intocável. Quanta coisa essa mulher é capaz de aprender, ensinar e reinventar. Qual será sua próxima criação? Nada pode limitá-la — nem o ensino básico, nem a cidade pequena, nem o “eu não sei fazer isso”. Para ela, o impossível é apenas uma questão de tempo.

O movimento e o conhecimento geram oportunidades. A oportunidade está onde você quer enxergar

Verena Raymundo

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