Eu na Comunicação

Entre a ética, a formação e a responsabilidade: o caminho de Muryllo Simon na comunicação

Conheça a jornada de Muryllo Simon, um defensor incansável da qualificação, da ética e do poder da comunicação para dar voz a quem não é ouvido.

Por: Victória Baracat

A história de hoje é sobre um comunicador nato. Natural de Barra do Garças (MT), mas filho de Araguaiana, um município de pouco mais de três mil habitantes no interior de Mato Grosso, Muryllo Simon sempre foi o menino que falava, e encantava. Cresceu cercado de movimento, vozes e curiosidade.

“Desde as primeiras séries da escola, eu sempre fui muito participativo. Estava em todas as atividades: teatro, dança, desfiles, eventos culturais… tudo o que a escola propunha, eu queria estar junto.”

Aquela inquietação era mais que energia infantil. Era vocação. Muryllo não apenas gostava de estar entre as pessoas, ele queria comunicar. Desde cedo, demonstrava uma liderança natural e uma sensibilidade rara para entender o outro. “Era curioso, alegre e muito ativo.”

O pai, professor de Educação Física, mas também de Química, Biologia e Física quando necessário, foi sua primeira referência. “Ele ia além da sala de aula. Ensinava sobre a vida”, recorda. Quando foi aluno do próprio pai, Muryllo aprendeu a lição mais duradoura: o respeito e a dedicação.

Ainda adolescente, já se destacava no microfone, apresentando eventos, animando festas e conduzindo atividades escolares.

Sem perceber, a comunicação já fazia parte de mim. Era algo que fluía, que me movia e que, mais tarde, se tornaria o centro da minha trajetória profissional.

Muryllo Simon

Mas o caminho não começou exatamente como ele planejou. Ao prestar vestibular para Jornalismo, faltaram dois pontos para a aprovação. “Foi uma decepção, mas eu não quis ficar parado.”

Decidiu, então, iniciar o curso de Marketing, com bolsa integral do ProUni, na Faculdade Cathedral, em Barra do Garças. Destacou-se rapidamente e foi reconhecido como “Aluno Ouro”. “Foi uma fase de amadurecimento e aprendizado”, lembra.

Mas, como costuma dizer, “Deus tinha outros planos”. No ano seguinte, pelo SISU, conquistou a vaga no curso dos sonhos: Comunicação Social – Jornalismo. “Entendi que não tinha passado antes porque aquele ainda não era o meu momento. O tempo de Deus é perfeito.”


Em 2009, começou o curso que mudaria tudo. A segunda turma de Jornalismo de Barra do Garças enfrentava desafios estruturais, mas tinha professores extraordinários e um entusiasmo que compensava qualquer limitação. “A gente produzia artigos, pesquisas, vivia o jornalismo em todas as suas dimensões.”

Foi nessa época que seu talento ganhou reconhecimento nacional. Um dos trabalhos que desenvolveu foi premiado pela Intercom, a Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, e chegou à etapa nacional. “Foi um momento de enorme alegria, uma validação do nosso esforço.”

Ainda na faculdade, Muryllo dedicava os dias inteiros à universidade. O curso era noturno, mas ele aproveitava cada hora para aprender e participar de projetos de extensão. “Eu queria ir além, viver algo novo, criar oportunidades.”

O projeto experimental de conclusão de curso, uma assessoria de imprensa para a Prefeitura de Araguaiana, que até então não tinha esse serviço, se tornou o ponto de virada. Logo após a defesa, veio o convite oficial para colocar o projeto em prática. Assim nasceu o profissional.

O destino o levou até Tupã, no interior paulista, onde foi contratado pelo Sindicato dos Comerciários. “Foi uma das experiências mais ricas da minha vida profissional”, conta. Ali, aprendeu que a comunicação pode transformar realidades.

No contato direto com os trabalhadores, Muryllo entendeu que comunicar não era apenas transmitir informação, era gerar empatia e traduzir lutas.

Compreendi que a comunicação tem o poder de aproximar pessoas e dar visibilidade a quem muitas vezes não tem voz.

Muryllo Simon

A experiência o consolidou como comunicador e o preparou para novas etapas. Em Tupã, ampliou sua atuação para a comunicação institucional e o marketing digital, mergulhando nas estratégias de posicionamento e branding.

A comunicação, para mim, sempre foi sobre pessoas. Aprendi que, por trás de toda marca, existem histórias que merecem ser contadas com autenticidade.

Muryllo Simon

Com o tempo, vieram as campanhas políticas, os projetos regionais, os eventos e, principalmente, o amadurecimento. Muryllo entendeu que seu trabalho era também sobre educar para a comunicação.

“Hoje, sigo com a mesma paixão do início, mas com um olhar mais maduro e estratégico. Comunicar é gerar impacto positivo, seja para uma marca, uma comunidade ou uma pessoa.”

A parceria com o portal Tupãense Notícias marcou uma nova fase. “Foi e continua sendo uma escola de experiências e conexões”, afirma. Lá, reencontrou o sentido primeiro da profissão: contar histórias reais, dar voz a pessoas comuns e transformar narrativas em pontes.

A fé, que o acompanhou desde Araguaiana, continua sendo o eixo de sua caminhada. “Acredito que quem não está disposto a aprender ainda não entendeu o sentido de estarmos vivos e conectados com o mundo.”

Muryllo é hoje jornalista, social media e professor, um comunicador completo, mas, acima de tudo, humano. E faz questão de defender o que acredita: ética, formação e responsabilidade.

“No jornalismo, não há fibrose. O tecido atingido pela calúnia não se regenera. As feridas abertas pela difamação não cicatrizam”, cita o jornalista Felipe Pena, lembrando da urgência de uma comunicação ética.

Para ele, esse é o verdadeiro papel do comunicador: “Em tempos de desinformação, não basta checar os fatos; é preciso educar as pessoas para um consumo consciente da informação.”

De um menino curioso nas ruas de Araguaiana ao profissional que inspira jovens em Tupã. “Ser jornalista é mais do que profissão, é um compromisso com a verdade, com a sociedade e com a ética.”

Ele defende, com firmeza, a formação profissional e a valorização do diploma de Jornalismo.

Precisamos lutar pela qualificação e pela ética. A sociedade só se fortalece com profissionais preparados.
Muryllo Simon

Muryllo nunca parou no tempo. Mesmo após a formação e tantas experiências acadêmicas, ele continua se aperfeiçoando e estudando. Participa constantemente de congressos, simpósios e cursos, e, inclusive, realizou um curso de Social Media em São Paulo. Mantém uma presença digital ativa, conectando tudo o que aprendeu nas redes sociais com o marketing digital.

“Comunicar é criar pontes, gerar transformação e deixar uma marca positiva no outro. E eu sigo aprendendo, porque aprender nunca foi uma barreira para mim.”

“Para quem deseja seguir o caminho do jornalismo, eu diria: nunca deixem de acreditar no poder da comunicação e na importância de uma formação sólida. Ser jornalista é mais do que profissão, é um compromisso com a verdade, com a sociedade e com a ética. Por isso, defendo com veemência a formação em Jornalismo. É fundamental que essa luta continue. Não podemos aceitar que conquistas históricas, como a regulamentação da profissão e o diploma de jornalismo, sejam desvalorizadas. Precisamos nos unir, conscientizar e lutar para derrubar a PEC que retirou o diploma obrigatório.”

“Se você sonha em ser jornalista, meu conselho é: aproveite cada oportunidade de aprender, ler, pesquisar e se expressar. O jornalismo exige curiosidade, dedicação e paixão por contar histórias, mas também é uma jornada de descobertas constantes. Busque conhecimento, pratique, participe de projetos, esteja aberto para ouvir e entender diferentes perspectivas.”

Muryllo tem uma trajetória linda e inspiradora, principalmente para aqueles que valorizam a vivência acadêmica e a formação profissional. Ele é incisivo e convicto de todos os aprendizados que carrega, mas humilde o suficiente para se colocar na posição de alguém que busca todos os dias, que cresce todos os dias, que precisa de conhecimento todos os dias.

Apesar de um currículo invejável, nem tudo foi fácil. Passou por momentos de desilusão, de decepção, pensou que o sonho ficaria longe. Mas o que define sua trajetória é: “Vencer não é chegar primeiro, é não parar de tentar.” Muryllo entendeu a jogada da vida e segue brilhando e cumprindo o seu propósito.

Quando somos jornalistas é nosso papel questionar qualquer informação; perguntar quantas vezes for necessário. Os princípios básicos do jornalismo em sua essência, não podem ser feridos; mesmo quando nos deparamos em um universo onde ganha destaque a ‘IA e outras ferramentas ‘, que devem ser usadas com atenção.

Muryllo Simon

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