A representatividade feminina no rádio: a trajetória inspiradora de Ana Santoni, jornalista, locutora e comunicadora
De uma infância simples e cheia de desafios à conquista do microfone, Ana Santoni provou que o estudo e a determinação transformam destinos.

No Eu na Comunicação de hoje, vamos contar a linda história de Ana Santoni, a comunicadora por trás da “Manhã 97”. Jornalista, locutora, mãe, esposa, uma mulher forte que carrega uma representatividade gigantesca. Ana mostra que, sim, as meninas também se comunicam através do rádio.
A comunicadora nasceu em Mogi das Cruzes (SP) e passou grande parte da infância e adolescência em Ferraz de Vasconcelos, na zona leste de São Paulo. Ela relembra com carinho o quanto sua família sempre foi unida, mesmo diante de tantos desafios e de uma origem simples e humilde.

A gente teve uma infância pobre, sabe? Foi bem difícil. Passamos fome e, muitas vezes, dependemos da ajuda de vizinhos. Mas somos muito gratos por isso. Apesar de tudo, a família sempre foi muito unida, a família da minha mãe, principalmente. Era lindo ver todo mundo junto, brincando, se divertindo. A casa era uma bagunça, mas aquela bagunça boa, gostosa. Tive uma base muito boa, exemplos de amor e respeito. Meus avós, tios, meus pais, todos se esforçavam para fazer o melhor dentro das possibilidades que tínhamos. A gente morava em Ferraz, uma região perigosa, e embora na época fosse mais tranquilo do que hoje, não deixava de ser um desafio.
Apesar das dificuldades e das oportunidades limitadas que a rodeavam, Ana sempre foi incentivada pelos pais a estudar. Isso remete à famosa frase: “Quando se nasce pobre, ser estudioso é o maior ato de rebeldia contra o sistema.” Ana é a personificação dessa força de vontade, o exemplo de que o estudo pode mudar destinos.
Mesmo em meio aos desafios, ela se destacava na escola:
Eu lembro de ter vários certificados, que talvez não valessem muito, mas eram de ‘aluna destaque’. Eu me destacava principalmente em Português, História e Ciências, só matemática que era um desastre, ainda sou, pra ser sincera. Mas na parte de humanas eu arrasava!
Desde cedo, Ana sabia que queria seguir algo relacionado à comunicação. Quando criança, adorava brincar com as câmeras antigas dos anos 2000. Filmava, apresentava e até criava pequenos jornais com os amigos e os tios. Enquanto outras crianças brincavam de casinha, Ana brincava de notícia, fazia reportagens e se imaginava uma jornalista investigativa. Tudo já apontava para um futuro promissor.
Na adolescência, com 14 anos, Ana veio para o interior.
Já tinha família em Parapuã, por parte do meu pai. A gente vinha nas férias quando dava, e eu adorava. Achava tudo muito mais tranquilo. Mas a criminalidade em Ferraz estava crescendo, e a situação começou a ficar perigosa.
Quando a segurança se tornou uma preocupação constante, seus pais decidiram se mudar de vez. Escolheram Parapuã (SP), cidade já familiar, buscando uma vida mais tranquila e segura.
A vida seguiu seu curso, mas Ana nunca deixou de alimentar o sonho de ser jornalista. Nessa época, criou um canal no YouTube, onde fazia vídeos de humor e se divertia com o público. O canal está desativado hoje, mas ela recorda esse período com muito carinho, e até pensa em voltar um dia.
Como boa adolescente curiosa, Ana chegou a cogitar várias profissões: aeromoça, química, cineasta, fotógrafa, publicitária… e, claro, jornalista.
Tinha essa veia que não saía da minha cabeça.
Ao prestar o Enem, foi aprovada pelo Sisu em Processos Químicos, no Paraná. No entanto, as condições financeiras não permitiram a mudança. Então, ela tentou uma bolsa pelo ProUni, aplicando para o curso de Fotografia em Presidente Prudente (SP). Mas, no primeiro dia de aula, descobriu que o curso não havia fechado turma:
Os caras nem me avisaram. Voltei pra casa bem frustrada, pra ser sincera.
Depois dessa decepção, tirou alguns meses “sabáticos”. Passou a trabalhar como atendente em uma conveniência em Parapuã (SP), um emprego temporário que acabou durando um bom tempo. Como boa brasileira, se virou como pôde, vendendo produtos variados para fazer uma renda extra.
Até que um dia, uma ligação inesperada da Faccat mudou sua vida.
Era um convite pra aplicar minha bolsa do ProUni em Jornalismo. Havia uma turma aberta, e eles precisavam fechar. Eu pensei: ‘isso é destino!’ O jornalismo sempre foi minha paixão, então aceitei. Senti como se a comunicação tivesse me chamado de volta: ‘Vem, minha filha, você é minha.’
Na Faccat, Ana viveu intensamente o mundo da comunicação. Fez amizades, teve professores inspiradores e conheceu grandes jornalistas. “Foi um período maravilhoso. Vivi e respirei comunicação o tempo todo.”

Seu primeiro emprego na área foi como estagiária na Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Tupã, onde escrevia matérias, tirava fotos e fazia coberturas de eventos. “Eu nunca lutei tanto por uma oportunidade. Ia lá direto, mostrava interesse, até que finalmente surgiu a chance. Trabalhei lá por cerca de um ano e oito meses.”
Durante esse período, conheceu o marido, com quem se casou em 2025. Hoje, têm uma filha. “Ela é maravilhosa, lindíssima! Me inspira muito a fazer um bom trabalho. E acho que vai seguir na nossa área, viu? É super comunicativa!”

Depois do estágio, Ana passou a trabalhar no Tupã City, onde atuou por alguns anos fazendo coberturas de eventos, lives e reportagens de campo. “Durante a pandemia, foi uma loucura. Enquanto muita gente estava em casa, a gente estava nas ruas, coletando informações pra manter o público informado.”
Mais tarde, trabalhou em um projeto privado produzindo roteiros para YouTube e artigos para blogs de um influente profissional da área. Apesar da exigência e do ritmo intenso, foi uma experiência enriquecedora que aprimorou sua escrita e sua criatividade.
Em 2021, surgiu a oportunidade de atuar como freelancer nas rádios Tupã, cuidando das redes sociais e da produção de conteúdo digital. Ficou assim por cerca de dois anos, até que um dia o proprietário, Gabi, a chamou para conversar: a antiga locutora, Marcinha, se mudaria, e a vaga estava aberta.
Eu morri de medo. Menina do céu! Eu não entendia nada de rádio, e na faculdade nem era algo que me chamava tanto a atenção. Mas pensei: quem não se arrisca, não vive o extraordinário. Então fui, e me apaixonei!


O dinamismo e a magia do rádio conquistaram o coração de Ana.
É algo diferente. Esse contato diário com os ouvintes, o carinho, os laços que se criam… preparar uma programação que possa elevar o dia das pessoas é algo mágico.

Hoje, Ana atua há dois anos como locutora de rádio, desempenhando várias funções, desde gravações comerciais até entrevistas e coberturas de eventos. Paralelamente, trabalha com Marketing Digital para empresas de Tupã, ajudando a estruturar estratégias, criar conteúdo e dar valor às marcas nas redes sociais.




Em seu mural acadêmico, exibe com orgulho o diploma de Bacharel em Jornalismo pela Faccat, o DRT de Radialista e dois cursos de pós-graduação incompletos, um em Marketing Digital e outro em Jornalismo Online, que ela pretende retomar em breve.
Ainda estou buscando cursos acadêmicos, como uma pós, pra aperfeiçoar esse trabalho com a voz, que eu amo tanto. Quero continuar me especializando e evoluindo a cada dia.
Com humildade e brilho nos olhos, Ana encerra a entrevista se definindo como uma eterna aprendiz:
Eu me sinto muito feliz. Sei que ainda tenho muito a melhorar, como todo mundo. A tecnologia muda o tempo todo, e a gente precisa acompanhar. Mas, no geral, aprendi muito no rádio e continuo aprendendo um pouquinho a cada dia. Me sinto orgulhosa e realizada por fazer esse trabalho, especialmente em um mercado que ainda é dominado por homens. É uma conquista importante, e sou muito grata por ter tido essa oportunidade e me doado de corpo e alma a ela.

A vida vale o risco.
Ana Santoni



