O dom da criatividade com Raíssa Feltrin, publicitária e comunicadora visual
Da infância criativa ao audiovisual profissional: quando o dom vira vocação.

No “Eu na Comunicação” de hoje, vamos contar a história de Raíssa Feltrin, uma comunicadora visual talentosíssima, que usa seu talento e sua visão estratégica para marcas incríveis, mas também para “servir”, como um propósito de vida e de gratidão ao dono da criatividade que lhe confiou esse dom: Deus.
Nascida em Tupã (SP), no dia 18 de julho de 2001, Raíssa relembra sua infância: “Eu lembro que, na infância, eu sempre gostei muito de joguinhos de computador, de desenhar, de decoração, de moda… era muito diverso, assim.” E, por conta disso, ela imaginava que seria arquiteta, algo que perdurou por muito tempo.

Na verdade, eu tinha pensado em ser engenheira, arquiteta… mas quando a gente é pequeno, a gente não tem noção exatamente do que aquela profissão faz, né? Então eu falava que ia ser arquiteta, decoradora de ambientes… mas eu gostava, sempre gostei muito de desenhar. Gostava muito de cantar também, de me comunicar através da música. Tanto que eu fiz música, fiz teclado, fiz dança…
Raíssa sempre pendia para o lado artístico, para criar, para a criatividade, o que, inclusive, é um dos seus maiores dons: “colocar ideias pra fora, criar coisas novas”. Ela comenta: “Eu tava vendo uma coisa esses dias sobre o arquétipo da criadora, né? Que gosta sempre de fazer coisas diferentes. Eu me identifico muito com isso. Eu sempre gosto de fazer coisas diferentes, não gosto de fazer mais do mesmo. Eu gosto de criar coisas diferentes, novas.”
Parece até óbvio, mas a comunicadora amava educação artística, sempre inclinada à criatividade, e sua mãe confirma.



Apesar de Raíssa se considerar uma criança tímida, a mãe a define como uma criança reservada, mas muito criativa: “Você gostava muito de pessoas, de festa, e você era muito criativa.” Ela ainda completa: “O seu quarto era um ateliê, né? Então você sempre se interessava muito por coisas de criar… Você chamava mais atenção pros brinquedos que você construía, brinquedo em cima do brinquedo. Então, seu quarto era um verdadeiro ateliê.”
A comunicadora também relembra com carinho o tio que foi uma grande inspiração: “Meu tio, desde que eu era pequena… ele é psicólogo, mas sempre se interessou por fotografia, por vídeo. Às vezes ele me usava como modelo. Então eu acredito que herdei muito esse lado artístico, esse olhar fotográfico dele.”
Em 2018, formada no ensino médio, a comunicadora já tinha em mente: “Vou ser arquiteta.” Prestou então vestibular para Arquitetura, inicialmente para a UEL, “porque eu queria muito ir pra Londrina”, mas não passou no primeiro ano. Após a desilusão, ela não desistiu, decidiu continuar estudando e tentar novamente. Pagou cursinho para passar na UEL, mas não passou novamente.
Fui, fiz o segundo vestibular, não passei de novo. Mas eu falo assim que é muito Deus. Em toda a minha história eu vejo que foi Deus que conduziu, sabe? Cada detalhe. Eu não falo aquela frase ‘Ai, Deus escreve certo por linhas tortas’. Não. Porque Deus não escreve por linhas tortas. Ele te leva por um caminho que, às vezes, você não entende na hora, mas depois tudo se encaixa. Tudo faz sentido, sabe?
Em 2020, ao não passar no vestibular, ela se depara com uma nova regra imposta pela mãe: “Eu paguei escola particular pra você a vida inteira. Então, agora, se você vai fazer uma faculdade particular, você vai trabalhar e você vai pagar.”
Para bancar a faculdade de Arquitetura, ela conseguiu um emprego na agência de marketing Way. O curioso é que ela não tinha nenhuma experiência formal na área, o que torna sua contratação um marco inesperado. “Eu vou falar assim pra você: eu não sabia ligar o Photoshop. Eu não sabia abrir um Photoshop. Eu não sabia nada do Photoshop.”
Ela foi contratada antes mesmo de terminar o teste e relembra com carinho esse momento, já que ficou totalmente travada diante das colegas, que hoje são suas amigas. “E quando eu fui contratada eu simplesmente travei. Eu travei! Ela começou a falar coisa de salário e a gente ri disso até hoje, porque elas são minhas amigas até hoje. Eu travei na frente dela. Tipo assim: gente… eu não sei, eu fui pro mundo da lua, fiquei muito feliz. Era meu primeiro emprego.”
Na agência, ela fazia de tudo um pouco: “Eu fazia arte, post pro Instagram. A gente fazia o calendário dos posts pro Instagram, fazia arte, fazia legenda, fazia tudo.”



Então, ela começa a cursar Arquitetura na FACCAT e conciliar com o novo trabalho. Embora a rotina de arte digital a agradasse, a dupla jornada logo revelou um profundo desencaixe. O conflito não era com a Arquitetura em si, mas com a descoberta de uma paixão maior.
Eu ficava o dia todo trabalhando com aquilo e eu amava. Eu amava o ambiente, eu amava as pessoas, amava o estilo, né? Porque publicitário tem um estilo diferente.
O ambiente publicitário a fascinou, e ela começou a questionar: “Mas como que é Publicidade? O que se aprende nessa faculdade?” A busca por algo que fizesse mais sentido a fez concluir que, apesar de gostar da primeira escolha, ela não estava no lugar certo.
E aí eu chegava à noite e ia pra faculdade de Arquitetura. E eu via que não tava dando certo. Eu não tava me encontrando, sabe? Não tava me encaixando.
Na pandemia então, ela tranca Arquitetura e luta para formar uma nova turma de Publicidade e Propaganda na FACCAT em 2021. Conseguindo então ela cursa o curso durante um ano.
Durante o curso dentro da FACCAT, sua mãe sugeriu uma transferência para a UNIMAR, em Marília, no começo de 2022. Então ela fez a transferência.
A mudança foi desafiadora, com viagens diárias: “Eu saía daqui de Tupã às 18h. Eu chegava à meia-noite.” Mesmo assim, a experiência compensou: “Foi uma das melhores coisas. A UNIMAR simplesmente impecável…”








E então foi quando eu decidi sair da agência pra poder realmente me dedicar à faculdade. E trabalhar. E nesse meio tempo eu trabalhava por conta. Foi onde eu comecei a trabalhar com as artes por conta. Foi acho que março de 2022, se eu não me engano. E aí eu comecei a me dedicar à faculdade.
Assim, ela decide sair da agência e começa a empreender como freelancer, já dominando artes digitais e produção de conteúdo. Ela conta com carinho o quanto foi impulsionada por pessoas, especialmente familiares.

A carreira de Raíssa deu um grande salto com os vídeos, por incentivo da influencer Malu Oliveira. Tudo começou com dicas no Instagram, vídeos que Raíssa enviava para Malu, até que, influenciada pela mãe, decidiu mandar uma mensagem oferecendo ajuda nas captações, mesmo sem experiência em vídeo. Elas eram completas estranhas, mas Malu aceitou, e dali em diante trabalham juntas até hoje.
Aí a gente foi, gravou os primeiros vídeos. Eu gravei com o celular dela, porque eu tinha até medo de gravar com o meu e dar alguma coisa errada. Quando eu entreguei esse material pra ela, ela disse: ‘Raíssa, você tem que trabalhar com isso. Você é muito boa.’ E eu nunca tinha feito aquilo na minha vida! ‘Você é muito boa…’ e não sei o quê… Enfim, a partir dali ela começou a me indicar. Eu comecei a pegar clientes por indicação.
Hoje, com uma empresa estruturada, com funcionários, clientes fixos, contratos e até escritório de contabilidade, ela brinca, se considerando “o auge da chiqueza”, atua em Tupã, Marília e Osvaldo Cruz, e já alcançou patamar internacional, com trabalhos como no São Paulo Fashion Week e em Maresias, produzindo para marcas.





Seu diferencial, além do foco nos “vídeos pra rede social”, é o olhar estratégico.
Então hoje eu sou focada em vídeos pra redes sociais, mas o meu sonho é trabalhar com grandes marcas. Poder contribuir com grandes marcas fazendo o que eu amo. E também trazendo o meu olhar: eu gosto de um olhar natural, espontâneo, bonito em tudo que eu faço. Eu sempre trabalho com muita clareza, muita honestidade. Não tem negociação quanto a isso, essa sou eu.
Formada em Publicidade e Propaganda pela UNIMAR, ela relembra com muito carinho sua trajetória acadêmica: “Eu amo de paixão os meus professores, a minha coordenadora. Sinto uma saudade imensa deles. E a UNIMAR me colocou realmente em contato com os clientes, em contato com a publicidade. Eu vivi experiências incríveis. Eu sou apaixonada. Eu falo que, se eu morasse em Marília, eu faria de novo Publicidade e Propaganda. Eu sou assim, simplesmente apaixonada pela área.”


















Raíssa também relembra a experiência em eventos, como a EXAPIT, onde, contratada pelo Sindicato Rural, fez toda a cobertura do evento por dois anos seguidos, no segundo, aumentando a equipe com a ajuda de Isabela Castro.




Emocionada, ela reflete sobre a satisfação em sua jornada e resume sua filosofia de trabalho:
Eu sou uma pessoa que não tenho medo de risco e eu acho que isso é uma coisa que me faz crescer… Se eu tentar, eu tenho duas opções: ou vai dar certo, ou vai dar errado… Eu sou realmente apaixonada pelo que eu faço… eu falo: ‘Caraca, que delícia estar aqui!’ Eu sou muito grata a Deus, porque eu penso: se não fosse Ele… nossa. Se eu tivesse seguido outro caminho, minha vida poderia ser completamente diferente. Eu poderia ser feliz, claro, mas eu acho que não seria tão feliz quanto eu sou hoje. Não seria tão completa quanto eu sou hoje. Então eu sempre tento trazer um pouco do que eu faço, do que eu amo, pra servir a Deus — não só na igreja, mas no meu dia a dia. E é isso. É isso. Eu sou feliz.
Em toda a entrevista, Raíssa traz muitos detalhes, sobre a pandemia, sobre lidar com a frustração de não passar no cursinho, mas deixa principalmente muito propósito em suas falas, sobretudo sobre sua fé, trazendo toda a honra a Deus e colocando Ele no centro de sua jornada.

Raíssa é uma menina de fé, que atribui ao Senhor seus dons, seus talentos e sua vida. Ela até faz uma comparação entre o Criador e o dom que possui, entendendo sua criatividade como algo vindo diretamente Dele. Nada é em vão, foi planejado.
Ela nos deixa um registro incrível de fé, de amor pela profissão, de honestidade, de integridade e de humildade.



Vá o mais longe que puder, mas nunca se esqueça de onde veio.



