“O rádio nunca sai da gente, por mais que você vá fazer outra coisa” — o caminho de Alessandro Dias, do AM ao FM.

Por: Victória Baracat
O personagem de hoje nasceu no interior do Paraná, mais precisamente em Terra Rica, município de aproximadamente 15 mil habitantes. Dentre eles, havia um que tinha paixão pela comunicação. Enquanto seus amigos soltavam pipa e brincavam com carrinhos e caminhões, o pequeno Alessandro tinha no rádio sua principal fonte de alegria e companhia. Foi a frequência AM que o acompanhou da infância até a adolescência, seu amigo para todas as horas.
Em 1998, deu o passo que transformaria sua vida. Alessandro Dias dirigiu-se à única rádio da cidade, uma emissora AM, para conversar com a direção. Seu objetivo era claro: garantir seu espaço e apresentar, aos sábados à noite, um programa voltado ao público jovem.
O acaso, no entanto, traçou um caminho diferente. Meses depois, a saída de um funcionário abriu uma vaga, e o aspirante a locutor entrou, não como apresentador, como ele gostaria, mas como guardião do som, exercendo sua primeira função no rádio como técnico de som e operador de áudio.
Naquele mesmo estúdio, cobrindo férias e realizando as mais diversas tarefas, ele solidificou sua base, onde permaneceu até 2003.
A partir daquele momento, o desejo de aprofundar sua vocação o levou a Maringá (PR), onde fez a primeira tentativa na faculdade de Jornalismo. A empreitada, porém, durou menos de um ano. O retorno a Terra Rica foi inevitável, e Alessandro reencontrou o aconchego daquela mesma emissora onde tudo começou.
Dois anos depois, em 2005, um novo horizonte se abriu quando uma segunda rádio iniciou as atividades em Terra Rica, dessa vez uma FM que o convidou, e ele não hesitou, permanecendo por lá até 2007.
Em 2011, então, Alessandro Dias resolveu que era hora de tentar novamente realizar o sonho de ser jornalista. Desta vez, o destino escolhido foi Presidente Prudente (SP), uma cidade já familiar, onde sua tia também estudou.
O curso era o chamado “tronco comum”, nessa primeira fase mesclava-se o Jornalismo com Publicidade e Propaganda. A vida, mais uma vez, apresentou seus contratempos, e ele precisou se afastar por um período.
Mas a determinação de um comunicador raiz é irredutível: Alessandro retornou aos estudos em 2015, em meio à mudança de grade curricular. Durante a faculdade, o ofício já pulsava, então fez um estágio concursado de quatro meses na prefeitura de Martinópolis, sempre adquirindo experiência.
Embora as questões de locomoção o impedissem de continuar, a oportunidade foi gratificante: “foi uma experiência muito bacana, eu sempre gostei de política, sempre gostei desse meio, então, para mim, foi unir o útil ao agradável”.
O processo foi longo, mas culminou em 2019 com a tão sonhada formação em Comunicação Social, com habilitação em Jornalismo.
Embora a formação acadêmica tenha sido motivada inicialmente pelo sonho de trabalhar na TV, e ele tenha acumulado vasto material audiovisual durante o curso, o rádio, como uma força magnética, o puxou de volta: “o rádio nunca sai da gente, por mais que você vá fazer outra coisa”.
Hoje, Alessandro atua na Rádio Cidade.
Sua experiência de ter começado no AM, ao lado de radialistas com “30, 40, 50 anos de rádio”, moldou seu estilo, que ele define como uma escola de Jornalismo “um pouco mais raiz”, mais factual.
Alessandro vê a profissão hoje como “bem complicada”, em um momento onde muitas pessoas confundem o Jornalismo com outras coisas, misturando-o com entretenimento e a figura do “influencer”. Para ele, a essência não mudou e é simples: informar, primeiramente, informar.
O jornalista deve manter o “pé muito no chão” e jamais pode aparecer mais do que a notícia ou o entrevistado. É uma profissão de grande responsabilidade: “você mexe com a vida de muita gente”. Por isso, ele zela por seu nome e carrega a humildade como princípio inegociável.
Se colocando perpetuamente na posição de aluno na vida e na profissão, Alessandro Dias segue seu caminho na comunicação. Mesmo após tantos contratempos e dificuldades, ele se adaptou e afirma “se fosse para fazer tudo de novo, eu faria, com certeza eu faria”.
Com a história de Alessandro, fica claro que todos nós temos uma trajetória que merece ser contada. Os caminhos geralmente não são fáceis; dar um tempo, parar um pouco, às vezes, é necessário. Não existem caminhos simples, mas a diferença está na persistência daqueles que escolhem não desistir.
“O sucesso é a soma de pequenos esforços repetidos dia após dia.” — Robert Collier














